Planejado
Ilhabela – Maranduba
Hospedagem: camping
Distância: 61km
Ocorrido
Ilhabela – Albergue da Juventude de Ubatuba
Hospedagem: Albergue da Juventude Cora Coralina R$ 18,00 p/ pessoa
Distância do dia – 92,8km
Distância acumulada – 92,8km
Média do dia: 17,9km/h
Máxima do dia: 58,1km/h
Tempo de pedal: 5:09h
Seis horas da manhã e estávamos de pé. A noite não tinha sido uma verdadeira maravilha. O colchão e a ansiedade, não sei porque, não contribuíram para um sono tranqüilo.
Tomamos um café e nos despedimos da mãe, avó, cachorros e emocionado, da namorada, Juliana, que preferiu não ir conosco.
Uma grande emoção tomava conta de nós. Balsa até São Sebastião e a estrada estava toda ali, pronta para nós quatro e nossas bikes.
Pegando a Rio-Santos do centro de São Sebastião e seguindo sentido Rio de Janeiro, em pouco tempo e pequena distância já se encara duas serrinhas. Na segunda, mais alta, um fato que nos fez acordar do “transe” que nos entorpecia através da emoção: o Sobral, numa freada brusca na descida fez com que o Edu batesse na traseira de sua bike. Estávamos a uns 40, 45km/h e um tombo causaria estrago. Felizmente nada aconteceu, apenas, como mencionei, acordamos. Pedalamos com muita facilidade 31km até chegarmos ao centro de Caraguatatuba. Para chegarmos até lá, numa determinada altura da Rio-Santos, entramos à direita e pegamos a ciclovia que beira as praias daquela cidade. Muito boa para se pedalar, um visual muito melhor que o da estrada naquele trecho e, de quebra, um corte de caminho. Paramos num posto BR que tem bons banheiros, loja de conveniência e sombra. Esse trecho seria a metade do imaginado para o dia inteiro, onde esperávamos chegar cerca de 11h da manhã. Eram, no entanto, 9. Nove horas e quatro minutos, para ser mais preciso. Estávamos todos muito bem. Pedal na estrada, então. Seguimos pela ciclovia até chegarmos próximos a um morro, onde notamos que, se continuássemos por ela, nos afastaríamos muito da estrada. Tomamos novamente a Rio-Santos e encaramos a primeira serrinha mais invocada. Com a terceira faixa o acostamento foi suprimido, então, tínhamos que pedalar pela faixa da direita. É um trecho movimentado e tivemos que manter a atenção acima do normal. Começamos a passar por diversas praias e suas entradas. Em algumas o trânsito de carros e pedestres/banhistas era muito intenso. Os carros chegavam a parar no engarrafamento. Que felicidade estar de bike. Acho que os motoristas irritados morriam de inveja a nos ver passar com tanta facilidade pelo congestionamento... Fácil, fácil chegamos em Maranduba que, na verdade, era um desses lugares lotados. Nem acreditávamos que já tínhamos chegado. Não eram nem 11h da manhã, horário limite, estipulado por nós, para pedalar pela manhã. O lugar era feio, lotado, não era legal. Seguimos pedalando mais uns 5km e chegamos à praia de Lagoinha. O Sol já incomodava e estávamos precisando parar. Fomos, então, verificar hospedagem. Pousadas caras e os campings que eram um verdadeiro absurdo (CCB), não tinham uma infra-estrutura legal e ficavam às margens da estrada.
Uma conversinha e decidimos ficar ali, na Lagoinha até as três da tarde. Um tempo para almoçarmos, ou comermos um desejado açaí e para o sol dar uma aliviada.
Às margens da estrada havia uma placa grande indicando o que queríamos: açaí, lanches naturais, sucos... maravilha. Francesco era o nome do local. Ao chegar, notamos que estava fechado, mas conseguíamos ver por uma porta de vidro e madeira que havia gente lá dentro. Fomos perguntar sobre a abertura do local: meio-dia, respondeu a moça. Eram 11:45h. Ao menos nos deixaram sentar nas cadeiras que ficavam em uma grande varanda. Nem os banheiros estavam abertos, mas após pedirmos, abriram. Esperamos, então, o local abrir. Esperamos cerca de intermináveis, famintos e sedentos, 40 minutos. Fomos ver o que havia acontecido e nos informaram que o dono do estabelecimento estava preso no trânsito e vinha com todos os suprimentos para abastecer sua lanchonete natureba. “– Mas não tem nada, nem água?” Perguntamos indignados. “– Nada!” responderam. Num lapso de consciência eu e o Sobral atravessamos a estrada e percorremos cerca de 200m até a praia, a qual ainda nem tínhamos visto. Aquilo parecia o paraíso: barraquinhas abertas, água de coco, sucos, visual lindo. Voltamos mais do que depressa para chamar o casal que quase jazia de sede no Francesco.
Ficamos na Lagoinha até umas três e meia. O tempo havia fechado e começava a chover. Tínhamos decidido seguir e pararmos quando um dos dois chegasse primeiro: o cansaço ou o Albergue da Juventude, na estrada que desce de Taubaté. Seguimos. Fizemos algumas paradinhas ao longo da estrada. No sobe e desce da Rio-Santos existem vários mirantes que, não por coincidência, ficam nos finais das pirambas. Admirar as belas paisagens é um ótimo argumento para recuperar o fôlego.
A Dé cansou bastante, acho que mais o psicológico do que o físico. Acabamos pedalando o dobro do imaginado para esse dia. De alguma forma acho que ela se sentiu transgredindo uma regra e se preocupou pela hipótese de acumularmos cansaço para os dias seguintes. Ela reclamou bastante, mas no final das contas chegamos todos sãos e salvos no albergue.
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