Planejado
Maranduba - Trindade
Hospedagem: camping
Distância: 50km
Ocorrido
Albergue de Ubatuba - Trindade
Hospedagem: camping R$ 10,00/ pessoa
Distância no dia – 68,4km
Distância acumulada – 161,2km
Média do dia: 15,7km/h
Máxima do dia: 60,5km/h
Tempo de pedal: 4:20h
Acordamos tarde, justificados pelo café que só era servido às 8h. Era simples, porém, muito gostoso. Suco de laranja, melancia, bolo formigueiro, café com leite e bolachinhas.
O albergue Cora Coralina em Ubatuba é gerenciado pela Terezinha, que se auto-intitula “Mãe Alberguista”. Segundo ela é um status oficial adquirido dentro da comunidade dos Albergues da Juventude. É uma pessoa extremamente solícita e que quebra vários galhos para seus hóspedes. Mantém todo o mundo na linha dura do “sujou, lavou” mas é querida por todos. Tem uma filhinha de 9 anos (na época) a Juliana, uma graça de menina, muito esperta e falante.
Remontamos os alforjes nas bikes, nos despedimos da Terezinha e da Juliana e pegamos a estrada às 10:20h! Foi a primeira vez que todos nos hospedamos em um albergue e gostamos. Provavelmente ficaremos nos próximos por onde passarmos.
O tempo nublado permitiu que seguíssemos pela estrada sem preocupação com o horário e com o Sol.
Talvez, justamente pelo tempo assim a estrada estava mais vazia que no dia anterior. A paisagem também mudou: das praias cheias de trânsito de veículos e pessoas, para vistas maravilhosas. No trecho encarado nesse dia alternavam-se longas subidas e praias maravilhosas ao longe. Paramos em um posto a uns 15km da divisa entre os estados de São Paulo e Rio de Janeiro. O Sobral não estava bem e acabamos ficando por lá por cerca de duas horas. Durante esse tempo descobrimos uma lanchonete que vendia um delicioso pão de batata. Pedi um de frango com catupiry. A Dé veio na minha cola e também pediu um. Mais um terceiro para dividirmos entre ambos foi pedido. Nessa hora ela pensou em comprar um para o Edu, que não foi à lanchonete. Não sei bem o porquê vieram dois pães no saquinho para viagem. Acabamos pagando, certos que seriam prontamente consumidos. Quando o Edu mordeu um deles, percebeu que era de calabresa. Como ele não come calabresa, a Dé guardou o pão em um de seus alforjes, mordido, babado, assim, sem pensar. Após comermos acabamos tirando um cochilo no chão de uma varanda construída na lateral de um mini-mercado que havia por lá.
Foi bom termos parado, pois as subidas da estrada daquele ponto para frente se acentuaram. A última subida da Rio-Santos neste trecho foi de matar: 3km íngremes e intermináveis onde o topo era o divisor de águas entre SP e RJ.
Ah, esqueci! No posto onde paramos fui vencido por 3 votos a 1 para que fôssemos para Trindade ao invés de Paraty. Pedalamos até lá, então. No trevo de acesso à Trindade visitamos um lindo centro de informações ambientais e turísticas. Queríamos nos informar sobre onde nos hospedarmos e principalmente sobre a tão falada “Subida do Deus me Livre”. As informações não eram das melhores: 1,5km de subida muito forte até o topo do morro e depois 5km de descida. A volta deveria ser feita pelo mesmo caminho, onde obviamente teríamos 5km de subida mais forte ainda, pois a “Deus me Livre” era no sentido Trindade – Rio Santos.
Tomamos coragem e subimos. Mil e oitocentos metros quase verticais, pedalando em pé. Não agüentei e empurrei a bike nos últimos 100m. A descida não foi menos dramática: cada bike pesando cerca de 30 ou 40 kg ficava difícil de parar, ainda mais no asfalto molhado e com areia. Após um quase acidente entre mim e o Edu, que usou os pés para parar sua bike e não me prensar entre ele e um carro parado num engarrafamento no meio da estrada, chegamos à Trindade.
Trindade é (ou foi) uma vila de pescadores. Muito freqüentada pelos hippies considerei-a a São Tomé das Letras do litoral. Pousadas improvisadas, campings em quintais, muita gente, preços salgados, poucas vagas disponíveis. Procuramos bastante uma pousada para ficar, pois chovia e acampar nessas condições é bem desanimador. Enquanto andávamos na rua principal procurando, fomos muito assediados pelos turistas e “locais” que passeavam ou estavam de bobeira por lá: “de onde vêem?”, “Para onde vão?”, “Ilhabela, caramba!! Onde fica?” Ao parar na frente de uma pousada bateu uma fome. Eis, que num ímpeto, quase mágico a Dé saca seu pão de batata recheado de calabresa e baba do Edu. Guardado em seu alforje úmido e quente por cerca de 6 horas, não é preciso detalhar muito seu estado. Mesmo assim, ela se pôs a comê-lo. Mordi um pedaço que arrepiou a alma. A calebresa passara a ter um gosto de água com gás misturada com limão. Totalmente azeda. Aconselhei-a a não comer mais ou, pelo menos, tirar a calabresa. Ela comeu tudo.
Não encontramos nenhuma pousada ou algo que se parecesse a tal e acabamos acampando. Estávamos cansados e não muito felizes por ter que armar, sob chuva, a barraca.
Arrumamos tudo como deu, saímos para comer um PF e voltamos cedo para dormir.
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