Planejado
Tarituba – Vila do Frade
Hospedagem: camping
Distância: 35km
Ocorrido
Trindade – Vila do Frade
Hospedagem: Corpo de Bombeiros R$ 0,00/ pessoa com café da manhã.
Distãncia no dia – 70,70km
Distância acumulada – 231,9km
Média do dia: sem registro
Máxima do dia: sem registro
Tempo de pedal: sem registro
Fui o único a dormir bem. Os outros reclamaram dos mosquitos, que não me visitaram graças ao ventilador que ficava a alguns palmos de mim, pois dormi no beliche.
Tomamos um ótimo café na pousada e tomei a iniciativa de ir atrás de um caminhão ou uma pick-up para nos levar além da “Deus me Livre”. Achei um Toyota com caçamba de madeira de um tal de Douglas. Sairia dali uns 15 minutos, mas “Dá pra me arrumar algum?” – sem problemas.
O Sobral acabou pegando uma carona em uma Saveiro que passou pela Rua Principal um pouco antes do Toyota do sr. Douglas. Assim , a Dé, o Edu e eu colocamos nossas bikes (pesadíssimas – foi a primeira vez que tivemos que levantá-las) no Toyota. “Segurem firme que o homem acelera” falou o ajudante do Duuglas. E bota acelera nisso. Haja braço e equilíbrio para manter-se junto com a bike na caçamba, que desmanchava em algumas partes. Acelerava, freava, fazia as curvas estreitas da estrada feito um doido. Buracos não existiam para ele. Tirava finas absurdas dos carros que vinham no sentido contrário. Resolvemos descer ao final da subida. Nem quisemos saber como seria a descida.
Recomeçamos nossa pedalada aí. Os 1800m de cansaço da ida eram pura adrenalina na volta. Muito bom! O mesmo trecho que subimos em 25 minutos, descemos em três.
Pegamos a Rio-Santos novamente. Novamente o tempo estava nublado – ótimo. Um trecho maravilhoso até Paraty. O acostamento não é lá essas coisas e por isso pedalamos na maior parte do tempo pela pista. Paisagens lindas iam se sucedendo a cada curva. Chegamos ao trevo de Paraty. Apesar de não entrarmos na cidade aquele lugar teve uma importância significativa: ali, daqui alguns dias iríamos completar a volta no Parque da Bocaina. Fiquei emocionado ao pensar nisso. Não sei bem ao certo o porquê, mas foi um ponto que ficou fortemente gravado na memória. A Dé queria entrar em Paraty, mas foi vencida por três votos a um. Estávamos num bom ritmo e como todos já conhecíamos a velha cidade, passamos reto por ela.
A partir do trevo de Paraty a estrada melhorou e pudemos voltar ao acostamento. A Serra da Bocaina já se fazia muito imponente à nossa esquerda e passava a ser companhia constante, como se nos desafiasse num convite para tentar sobrepô-la. As fotos, com toda certeza, não serão capazes de mostrar toda a beleza desse lugar que era registrada por nossas retinas e guardada para sempre em nossas mentes.
Tarituba era uma das inúmeras praias que ficavam, obviamente, do lado oposto à Bocaina, à direita. Sua beleza vista da estrada ao nos aproximarmos do alto de um morro e um PF de peixe com molho de camarão a R$ 5,00 nos convenceram a parar um pouco. Comemos e depois nos largamos na praia. Nadamos um pouco no mar que parecia mais uma piscina com água morna, cristalina e calma. Voltamos à estrada. Decidimos pedalar até a Vila do Frade, aproximadamente 30km dali.
Pelo caminho a paisagem não deu trégua. A cada curva e a cada subida que vencíamos éramos tomados por imagens lindas. Praias, montanhas, uma estrada maravilhosa. Um roteiro para ser feito sem pressa e com muitos filmes na máquina fotográfica. Contrastando com a beleza natural desse trecho de litoral, passamos pelas usinas nucleares de Angra I e II. Imponentes em seus tamanhos, não impressionam apenas por suas construções em formas futuristas. Ao se conhecer um pouco seu funcionamento descobre-se que a energia atômica seria uma maravilha se usada apenas para fins pacíficos e se soubéssemos o que fazer com seus rejeitos que deverão manter-se ativos por 4 milhões de anos! Como pode?
Ao chegar nas proximidades do Frade, uma cena engraçada: o Sobral, estacionando sua bike de fronte ao imenso portão do Frade Golf Resort para saber se havia vagas. Havia, sim: R$ 690,00 o casal, com direito ao café da manhã! Ri até não poder mais da cara dele saindo pedalando da portaria do luxuoso resort após receber a informação procurada.
Ao entrarmos na Vila do Frade, propriamente, nos deparamos com morros de favelas e um corpo de bombeiros. A Dé sugeriu pedirmos hospedagem por lá. Fomos e conseguimos, inclusive com um tratamento VIP! O pessoal do batalhão fez questão de nos tratar muito bem. Falaram que muitos viajantes passam por lá e sempre são bem vindos. Fica a dica.
Acho que longe de casa, como eles estavam (a maioria dos bombeiros com quem conversamos era do Rio de Janeiro), fica-se mais sensível. As pessoas se põem mais na pele dos outros e arrumam maneiras de afastar a monotonia de seu cotidiano. Talvez dessa maneira façam o tempo correr mais rápido para voltarem aos seus lares. Os bombeiros do Frade fizeram um enorme favor para nós, mas senti que fizemos outro, tão grande quanto, para eles. Seus nomes: Sgt. George, Cb. Lucimar (a única mulher), Cb. Leandro e Cb. Barbosa, fora todos os outros do quartel, que não chegamos a saber os nomes.
A Vila do Frade deve ter sido o local mais feio que visitamos. Seus morros apinhados de casas inacabadas e uma gente não muito bem encarada. Ironicamente – ou não – foi o local onde melhor fomos tratados, tanto pelos bombeiros, quanto no restaurante onde comemos. Novo e ainda sem nome, foi onde comemos a melhor comida também, até então. Para referência, é uma casinha vermelha simples, mas muito bem ajeitadinha, à margem direita da Rio-Santos no sentido Rio e quase em frente ao corpo de bombeiros.
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