Planejado
Silveiras - Cunha
Hospedagem: camping
Distância: 68km
Ocorrido
Bairro dos Macacos - Cunha
Hospedagem: Pousada Vila Rica R$ 35,00 / pessoa com café da manhã. Distância no dia – 47,24km
Distância acumulada – 525,71km
Média do dia: 11,4km/h
Máxima do dia: 64,2km/h
Tempo de pedal: 4:07h
A pedalada do décimo dia foi intensa. Morros e mais morros em estrada de terra se sucediam. Nesse trecho agradecemos a luz de termos colocado pneus mistos nas bikes. O dezesseis quilômetros de terra entre o Birro dos Macacos e Campos de Cunha (ou Campos Novos, como é chamado pelas pessoas da região) guardavam subidas escorregadias e muito íngremes e descidas insanas. Pedalei durante muito tempo sozinho e de cara amarrada, mas essas descidas fazem qualquer um ficar bem. Chegando em Campos de Cunha O Sobral teve uma queda no finalzinho do trecho de terra (estava muito escorregadio) mas aparentemente nada de mais aconteceu.
O asfalto finalmente voltava a estar sob nossas rodas. Realmente o trecho de terra foi difícil de ser transposto, porém... (sempre há um porém) muita subida. Cunha é a cidade mais alta de todas as outras pelas quais passamos, então, pedal pra cima!
Notei uma coisa: as pernas já não respondem como antes. Qualquer subida nos faz reduzir as marchas ao máximo. As serras que enfrentamos até agora consumiram muito de nossa energia. Sinto as pernas muito mais fracas que ao sair de Bananal. Outra coisa que é notória são nossos corpos. Emagrecemos bastante desde que saímos e nossa capacidade de alongamento aumentou absurdamente.
O clima nesse dia foi um caso à parte: ao sairmos do Bairro dos Macacos com céu nublado e um pouco de frio. Fiquei até em dúvida se utilizaria manga comprida ou curta. Fiquei com a segunda opção. O tempo abriu, tornou a fechar, esquentou, choveu, esfriou. Em meio a toda a bagunça climática apenas uma coisa era certa: na subida saía sol forte, nas longas descidas chovia e ficávamos gelados. Mas resistimos e chegamos a Cunha.
Como de costume fui à igreja. Não para exercer minha religião, mas sim para pedir abrigo. Consegui, mas teríamos que ficar em um colégio onde estava ocorrendo um encontro de jovens. Eu até toparia, mas o Edu e o Sobral torceram o nariz. No fundo, acho que estavam certos. Então, nos demos um presente: uma boa estada. Nos instalamos na pousada Vila Rica, após pesquisarmos as pousadas num folheto da Cunhatur. Era umapousada com piscina e quarto excelente, com relativo luxo. O Sr. (Forest Gump) Oscar, dono da pousada, foi muito legal e atencioso. Nos emprestou um compressor de água para lavarmos as bikes que, depois da estrada de terra, estavam em petição de miséria.
Minha cabeça realmente melhorou. Meu rendimento naquele dia foi muito inferior aos outros acredito que principalmente por causa de minha psique afetada por causa do negócio com a Ju. Segue mais um trecho transcrito do diário: “Acho que não devo dar tanta importância assim para ela nessa questão. O problema não é meu, é dela. Estou me divertindo muito e não estou a fim de deixá-la atrapalhar. Pensei também que, se fiquei tão mal é porque esperava muito alguma coisa que ela não foi capaz de fazer. Tracei um paralelo com o meu cotidiano de cicloturista: as subidas da estrada devem ser encaradas como as pessoas (ou vice-versa). Não espere muito delas. Não pedale além da conta pensando que a subida terminará no local até o qual a sua visão alcança. Se tiver feito isso e a subida continuar além daquele ponto, você não terá gás suficiente para vencê-la. Pense que ela sempre existirá (e nunca terminará) e quando você começar a descer se sentirá recompensado e vitorioso.
É muito difícil trabalhar isso na cabeça. Sempre há uma esperança rondando que tenta e teima em lhe convencer do contrário. É preciso ser forte e praticar.”
À noite jantamos uma massa deliciosa na própria pousada e fomos dormir cedo. Estávamos cansados.
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