Planejado
Cunha - Paraty
Hospedagem: Albergue da Juventude
Distância: 45km
Ocorrido
Cunha - Paraty
Hospedagem: Albergue da Juventude R$ 25,00 / pessoa com café da manhã. Distância no dia – 50,07km
Distância acumulada – 575,78km
Média do dia: 13,5km/h
Máxima do dia: 72,8km/h
Tempo de pedal: 3:41h
Após um bom descanso com direito a um café da manhã muito farto e delicioso, piscina e mais estórias do titio Forest Oscar Gump, saímos da pousada às 15:45h. Estávamos despreocupados com o horário pois, segundo o Edu, a estrada que ligava Cunha até a descida para Parati “- é assim ó” e gesticulava com as mãos indicando um caminho totalmente plano e cheio de curvas. Eram gestos que nos enchiam de alegria e esperança, nos tranqüilizavam e mostravam que realmente o pior trecho da viagem havia passado.
Porém (lembram do ”porém”?), começamos subindo... e muito. Logo na saída de Cunha a subida era muito forte. Cerca de 1km de boas vindas à estrada. “Tudo bem”, pensamos. Subimos agora, mas dali para a frente o trecho desse dia seria tranquilíssimo... seria. A estrada na qual estávamos pedalando nem de longe parecia ser a estrada a qual o Edu se referia. Não apenas uma, mas duas serras bastante íngremes separavam Cunha da borda da Serra da Bocaina. A cada subida forte que fazíamos pensava no que poderia dizer ao Edu. É evidente que ele não tinha a menor culpa d relevo daquele lugar ser daquele jeito, mas não deveria ter dito o que disse se não lembrava bem do local. O fator psicológico faz toda a diferença nessas horas e naquelas horas esperávamos muitas coisas, menos subidas. Tudo bem. O que fazer?
No principio da última serra a temperatura baixou muito. O frio nos obrigou a parar e vestir uma capa de nylon com capuz e tudo. Melhorou. Ao subi-la além da temperatura baixar ainda mais, o céu fechou totalmente e a neblina tomou conta da estrada obrigando a acendermos as luzes das bikes. Realmente estávamos em uma grande altitude. A mata de Araucárias, lindas, ao nosso lado atestava isso. Em meio a subida uma companhia inusitada nos aliviou um pouco a tensão: provavelmente um casal de papagaios parecia nos seguir, voando de árvore em árvore à medida em que avançávamos lentamente pela estrada.
Finalmente após 24km chegamos à divisa de Estados entre SP e RJ. Entrávamos novamente no Rio e novamente tínhamos terra sob as rodas. Esse trecho em que corre parte da Estrada Real corta o Parque nacional da Serra da Bocaina e é um espetáculo. Mesmo sob forte neblina é possível notar a exuberância da mata que, em certos trechos, forma um túnel sobre a estrada.
Só descida agora. A estrada não é boa, nem para as bikes, cheia de pedras soltas e escorregadias. O frio fazia com que as pontas dos dedos das mão e pés ficassem endurecidos. A boca também. Um chuvisco fininho juntamente com o vento aumentavam o frio... e que frio! Descemos 14km pela terra. Já conseguíamos avistar Paraty pois deixamos a neblina para trás e a temperatura já era bem mais alta. Tínhamos uma vista maravilhosa.
A estrada de asfalto muito lisa e muito estreita nos empolgou. Ignoramos as mãos de direção para podermos aumentar a velocidade nas curvas. O movimento era pouco e e não demoramos muito para atingir o nível do mar. A temperatura fez com que nos lembrássemos que estávamos no verão. Incrível. Cerca de quatro ou cinco dias pedalando subidas intermináveis, esforços extremos e em cerca de 30 minutos estávamos novamente a 0m de altitude. Um desperdício de energia para alguns uma vitória para nós três. Chegamos no trevo com a Rio-Santos. Atingíamos naquela hora o lugar que me emocionou ao passarmos há cerca de 8 dias atrás. Realmente a emoção nos dominou e vibramos muito. Lembro de ter chegado em Paraty como um guerreiro vitorioso vindo da batalha ou um pescador retornando para sua vila com o barco carregado de peixes. Me senti celebridade passando incólume aos olhares curiosos de turistas e moradores da cidade.
Era tarde e acabara de escurecer, eram 8 da noite. Após muita procura nos hospedamos no albergue de lá. Não gostei muito do tratamento que nos foi dado. Achei os donos do albergue um tanto arrogantes e sem preocupação com seus hóspedes. Tampouco me agradaram as instalações. Por muita sorte conseguimos um quarto com uma cama de casal e dois beliches, pois os quartos coletivos masculinos eram extremamente pequenos, com muitas camas e sem ventilação! Não imaginei como alguém conseguiria dormir ali.
À noite passeamos pelo centro histórico de Paraty e jantamos numa lanchonete. Tudo muito cara e cheio. Mais lembranças de que estávamos no verão e em uma cidade badalada.
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