sábado, 6 de setembro de 2008

6º Dia de Viagem (08/01/2005)

Planejado
Angra dos Reis – Rio Claro (RJ)
Hospedagem: camping
Distância: 54km


Ocorrido
Bracuhy – Rio Claro
Hospedagem: Hotel Müller R$10,00 / pessoa sem café da manhã.
Distância no dia – 57,89km
Distância acumulada – 307,29km
Média do dia: 13,8km/h
Máxima do dia: 62,3km/h
Tempo de pedal: 4:08h

O dia 08/01/05 não começava com muita pressa pois teríamos que acompanhar a Dé, que partiria de ônibus do Frade. O ônibus saía de Angra às 10:30, então, calculamos que se estivéssemos às 11:00 no ponto de parada no Frade estaria ótimo.
Tomamos um ótimo café, bastante coisa à mesa. Bem gostoso e variado.
Arrumamos tudo nos alforjes, mas montamos a bagagem apenas na bike da Dé. O albergue era meio de caminho para a RJ 155, que nos levaria ao alto da Serra do Mar, então, pegaríamos a bagagem dos três depois.
Saímos tranqüilamente umas 10h e chegamos muito rápido no Frade. O calor àquela manhã era insuportável. Era simplesmente impossível permanecer parado sob o sol, onde os termômetros marcavam 41°C! Permanecemos em um posto à frente do restaurante / ponto de parada do ônibus. Enquanto esperávamos na sombra passou pela estrada um casal de cicloturistas no sentido Santos – Rio. Eles não nos viram, mas ficamos empolgados em ver gente como a gente por aquelas bandas. Sobral e eu saímos com nossas bikes em disparada atrás dos dois. Emparelhamos com eles. Era um casal de orientais de meia idade. Cumprimentei-os, perguntei de onde vinham, para onde iam, essas coisas, mas pelo que senti, não estavam muito interessados em conversa. Se limitaram apenas a responder nossas perguntas e não diminuíram nenhum pouquinho o ritmo. Desejamo-lhes boa sorte (vinham de Santos e iam até Angra) e retornamos ao posto.
O ônibus da Dé encostou no restaurante às 11:45h. O motorista era muito “gente fina”, então, sem problemas para embarcar a bike da Dé. Nos despedimos. O grupo perdeu um pouco, ou melhor, um muito da graça. Nas reflexões feitas na estrada conclui que senti isso talvez por cada um ter estabelecido naturalmente seu papel no grupo; ou por que não dizer na equipe. A saída da Dé nos desequilibrou sensivelmente. Senti isso ao nos despedirmos e comprovei ao final do dia.
Voltamos ao albergue sob o sol escaldante. Ficamos um bom tempo por lá. O sol e o belo rio Bracuhy à frente do albergue contribuíram muito para isso. Tomamos um delicioso banho de rio que recarregou as energias esmaecidas pelo calor.
Duas e quinze da tarde estávamos partindo. Contas acertdas, bikes montadas, luvas e capacete; tínhamos a serra para subir. Esse era o dia e aquela era a hora.
Após cerca de 10km pedalando saímos da Rio – Santos. Ao passar sob ela agradeci pela segurança e maravilhas que nos proporcionou. Sentiríamos saudades daqueles dias de estrada a beira mar.
Sem resquício de um acostamento a RJ 155 já estava sob nossas rodas. Pouco movimento compensavam a falta de espaço para pedalar. Até a subida da serra percorremos uns 6km, então... Sob aquele sol infernal iniciamos a subida. Como ainda na Rio – Santos o Sobral havia ficado bem para trás de mim e do Edu, achamos interessante colocá-lo entre nós durante a subida, para que não se desestimulasse. Fomos assim: eu na frente, seguido pelo Sobral e por último o Edu. Após uns 20 ou 25 minutos subindo em marchas 1:2 o tempo começou a fechar. Aos poucos gotas grandes de chuva começavam a cair. Começaram espaçadamente dando a impressão que chovia água quente - de fato acredito que o calor era tanto que as primeiras gotas da chuva estavam mornas – mas a intensidade foi aumentando e montando um espetáculo divino (ao menos para nós três): uma deliciosa chuva de verão. A temperatura melhorou, mas mesmo assim o Sobral reclamava muito do cansaço. Queria parar. Eu rebatia contrariamente com palavras que, para mim eram incentivadoras, para ele...
Em um determinado trecho a estrada se alargou e possibilitou uma parada do Sobral. Forçada, pois tanto eu, como o Edu não queríamos parar, mas preferimos não deixar o Sobral para trás. Tomamos um Carb-Up e o Sobral começou a reclamar do fôlego, das pernas, da diferença entre o nosso preparo físico e o dele... Acabamos batendo boca, mas seguimos, assim, aos trancos e barrancos. Seguimos por uma serra linda, marvilhosa e...interminável. O asfalto acabou e deu lugar ao paralelepípedo. A estrada se tornou ainda mais linda, porém, mais difícil. Já quase no topo três túneis escavados diretamente na rocha e sem nenhuma iluminação indicaram que estávamos derrotando o paredão da Serra do Mar. Já no planalto pedalamos mais 29km por uma estrada que alternava descidas e subidas passando por Lídice até chegar a Rio Claro. O cenário mudou totalmente. Pastos, rios e morros se revezavam no lugar das maravilhosas praias vistas da Rio – Santos. Lá era mais bonito.
Chegamos ao nosso destino – Rio Claro – perto das 18h. Nos instalamos no único hotel da cidade. Uma espelunca com banheiros coletivos chamada Hotel Muller. A dona do estabelecimento era uma figura singular: excepcionalmente mal humorada e antipática só nos hospedou porque realmente não havia outra opção de hospedagem. Essa foi a impressão.
Depois de botar os pingos nos “is” entre eu e o Sobral por conta do bate boca na subida da serra, à noite saímos para comer. Comemos um lanche delicioso e barato. Voltamos logo ao hotel e dormimos. Não havia nada para fazer em Rio Claro, uma cidade pequena sem nenhuma vocação para receber quem vem de fora e, ainda por cima, cheirando à galinha.

Um comentário:

Unknown disse...
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